A República: somos tão jovens.

5:57 PM


15 de novembro de 1889: a histórica data em que o Marechal Deodoro da Fonseca assinou o manifesto de proclamação da república brasileira, dando um fim à monarquia e exilando da pátria amada D. Pedro II junto com a família imperial. Agora uma nova era iniciava-se. Um novo sol havia de raiar. A felicidade, a liberdade e o amor seriam uma realidade e uma verdade incontestáveis nas terras tupiniquins. Certo? Quase.
Bem, as coisas não mudam da noite para o dia. “O apressado come cru” já dizia a vó de todo mundo. Os primeiros anos do novo regime político ficaram conhecidos como “República da Espada” devido à repressão a quem ainda apoiava ideias monarquistas. Século passado, sabe como é, ainda não havíamos amadurecido para saber conviver com pensamentos antagônicos, mas a fé no futuro era mais forte, seríamos uma grande nação! Éramos tão jovens!
Agora uma nova cadeia de cem anos despontava no horizonte. O século XX haveria de trazer novos ares, mudar a cabeça das pessoas. A felicidade, a liberdade e o amor seriam uma realidade e uma verdade incontestáveis nas terras tupiniquins. Certo? Calma, pra que a pressa?
Grandes passos foram dados nessa nova era, apesar das duas repressivas ditaduras militares, das ideias extremistas que afastavam amigos e familiares, da falta de diálogo e da dificuldade de convivência com diferenças em várias esferas. Isso também é coisa de um século anterior, outra mentalidade, cabeças antigas, ainda não havíamos amadurecido para saber conviver com pensamentos antagônicos, mas a fé no futuro era mais forte, seríamos uma grande nação! Éramos tão jovens!
Vivemos agora no século XXI, a era digital, a vida conectada, o império dos smartphones. Somos ágeis, sagazes, profundos conhecedores sobre tudo devido ao bombardeio de informações que nos atinge diariamente. A felicidade, a liberdade e o amor agora possuem terreno fértil para transformarem-se em uma realidade e em uma verdade incontestáveis nas terras tupiniquins. Certo? Ei, por que você tá rindo?
A revolução digital nos proporcionou uma interação mais direta com tudo mundo. Isso aproximou as pessoas. Podemos agora, instantaneamente, com pessoas do mundo todo, xingar, ofender, humilhar, debochar de toda e qualquer ideia oposta. Mesmo que não saibamos muita coisa sobre essa ideia oposta, tampouco sobre a nossa própria ideia (embasada profundamente em títulos de links de artigos e matérias não lidas).
Neste novo século e milênio mostramos nossa evolução, nossa superioridade em relação a nossos antepassados, enquanto discutimos qual é a maior tragédia – lamentar todas? Escolha um lado, imbecil! -, a “doutrinação ideológica” que as escolas fazem quando tentam combater alguma forma de discriminação, a “falta de rola” das mulheres que insistem em direitos iguais e em andar de roupa curta sem serem apalpadas, o exército que os homossexuais estão montando para destruir a família tradicional e o direito que temos de reprimir violentamente tudo que atente à nossa tão intocável moral social.
É, ainda somos tão jovens. Bem jovens. Crianças. Crianças mimadas e malcriadas.

Meu Deus, alguém chame a Super Nanny! 

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